Olha pessoal, não sei vocês mas eu estou muito irritado e cansado do que os jogadores estão fazendo em campo. Quando a cobra fuma e o JJ fica no "cangote", a postura muda e é tudo lindo, maravilhoso mata com três gols e fim de jogo.
Aí, quando ganham uma sequência e o pessoal elogia...tsc tsc.
Agora, primeiramente analisando esse jogo, o time foi mal escalado. Entrou com: Rogério Ceni, Jean, André Luís, Miranda, Júnior Cesar, Rodrigo Souto, Hernanes, Léo Líma(Marcelinho), Jorge Wágner, Dagoberto(Roger) e Marlos(Fernandinho).
Já na escalação todo mundo sabia que com Marlos e Dagoberto não iríamos ter presença de área pela ausência de um centroavante de ofício. Quem deveria fazer a função de entrar na área pelo centro era Léo Lima, que naturalmente não foi bem nessa "parte".
O que se viu foi um domínio sonolento de posse de bola, sem objetivo e com alergia a área adversária, parecia proibido. Diriam alguns que batem bola com os amigos, que parecia "artilheiro", um jogo de quadra com os amigos, em que é feito um lançamento e você não pode entrar na área para marcar o gol.
Enfim, diante da preguiça e inefetividade do SPFC, o Bragantino ganhou confiança na segunda etapa e sentiu que poderia ganhar o jogo. Após perder duas chances claras, em um escanteio, sem NINGUÉM SUBIR na bola, uma cabeçada queima-roupa matou Rogério Ceni.
Bom, durante o segundo tempo, Ricardo Gomes mostrou seu brilhantismo ao tirar de jogo os que vinham com "menos preguiça" na partida, Dagoberto e Léo Lima. Foi aí que entraram Roger "impedido", que nem pegou na bola e o novo Pelé... Marcelinho Paraíba. O nosso "craque" conseguiu errar pelo menos uns 10 passes de 1 metro em menos de 5 minutos. Sensacional, Messi deveria se preocupar.
INACEITÁVEL! O SPFC QUANDO ENTRA EM CAMPO, ENTRA PRA JOGAR E VENCER, E NUNCA PRA FAZER CORPINHO MOLE. SEJA LÁ QUAL FOR O PROBLEMA: BICHO, RELAÇÃO NO ELENCO OU TREINADOR, NÃO VOU ASSISTIR A ISSO SEM FALAR NADA.
Quando meu time do coração se esforça, mesmo perdendo, temos que aceitar a derrota, mas os caras ganham em média 40 a 150 mil por mês e fazem isso?
Cansei, assim não pode. INACEITÁVEL. ESPERO ATITUDES CONTRA ESSA POSTURA NOJENTA E DE ANTI-PROFISSIONAIS, QUE NÃO MERECEM VESTIR O NOSSO MANTO SAGRADO.
Dá pra ver bem quem é quem nesse elenco, sabemos com quem podemos contar...
Ps: O ponto alto da rodada foi nosso "rivalzinho" da marginal sem número, que é o bêbado esperando ser empurrado pra ladeira.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Segue a batalha extracampo
Vou te contar uma coisa pra você, viu? O presidente do Curíntia, cada dia mais, me causa revolta. Em meio a uma discussão no Senado Federal sobre mudanças na Lei Pelé que iriam beneficiar todos os clubes formadores, inclusive o dele, ele interrompeu a fala de Juvenal Juvêncio para acusá-lo de mentiroso e dizer que o São Paulo é o time que mais rouba jogadores.
É brincadeira esse cara? Ele querer dirigir o timeco dele com puro amadorismo é problema dele. Mas não venha tumultuar o ambiente numa discussão em que está em jogo o futuro de todos os clubes formadores.
Enquanto isso, na Justiça, o São Paulo segue firme. Diogo também perdeu em sua tentativa de antecipar a audiência e terá de se reapresentar ao clube. O Tricolor, com um elenco inchado, nem tem muita pressa para repatriar seus atletas, até porque o tempo que ficarem fora acabará sendo cumprido mais adiante.
O mais incrível é que esses atletas, vendo que estão se ferrando, ainda não mudaram de posição. O que chegou mais perto disso foi o Oscar, que quase foi inscrito na Libertadores, antes de seu empresário dar sumiço nele novamente. Mas Diogo e Lucas Piazon nem apareceram depois de seus processos. Minha opinião: estão mais perdidos que filho de p... em dia dos pais e agora só restou a eles confiar nas promessas vazias de seus representantes. Mas a hora da verdade está chegando para eles também.
A despeito das palhaçadas do presidente do Curíntia, ouve-se no Congresso que as mudanças na Lei Pelé que protegerão os clubes formadores serão aprovadas sem dificuldade.
É brincadeira esse cara? Ele querer dirigir o timeco dele com puro amadorismo é problema dele. Mas não venha tumultuar o ambiente numa discussão em que está em jogo o futuro de todos os clubes formadores.
Enquanto isso, na Justiça, o São Paulo segue firme. Diogo também perdeu em sua tentativa de antecipar a audiência e terá de se reapresentar ao clube. O Tricolor, com um elenco inchado, nem tem muita pressa para repatriar seus atletas, até porque o tempo que ficarem fora acabará sendo cumprido mais adiante.
O mais incrível é que esses atletas, vendo que estão se ferrando, ainda não mudaram de posição. O que chegou mais perto disso foi o Oscar, que quase foi inscrito na Libertadores, antes de seu empresário dar sumiço nele novamente. Mas Diogo e Lucas Piazon nem apareceram depois de seus processos. Minha opinião: estão mais perdidos que filho de p... em dia dos pais e agora só restou a eles confiar nas promessas vazias de seus representantes. Mas a hora da verdade está chegando para eles também.
A despeito das palhaçadas do presidente do Curíntia, ouve-se no Congresso que as mudanças na Lei Pelé que protegerão os clubes formadores serão aprovadas sem dificuldade.
domingo, 21 de março de 2010
Vitória protocolar: São Paulo 3x0 Mogi Mirim
Saudações Tricolores!
Finalmente parece que o SPFC está evoluindo mesmo e ganhando corpo e costume no novo esquema. Muito longe de ter sido convencido pelas exibições, o tricolor tem tido facilidade nos últimos jogos para fazer o placar para vencer suas partidas.
Em um Morumbi com quase 10 mil pagantes, o SPFC venceu o Mogi com gols de Rogério Ceni, Cléber Santana e Hernanes. Nosso goleiro-artilheiro está cada dia mais próximo dos 100 gols, e posso dizer que Cléber Santana e Léo Lima de fato conquistaram o posto de jogadores do time titular.
Abrindo vantagem com relação ao quinto colocado(atualmente cinco pontos), é muito difícil o SPFC não classificar para a segunda fase do Paulistão, se segura pessoal do circo, que no fim alguém vai ficar com cara de palhaço!
Agora o Campeonato Paulista começa a ganhar corpo na reta final e alguma graça.
A pergunta que não quer calar é: você pouparia o time titular do SPFC contra as galinhas no próximo domingo?
Detalhes: time descansado para viagem do México e jogo importantíssimo contra o Monterrey ou eliminar um adversário direto da segunda fase do Paulista?
Veremos cenas dos próximos capítulos...
Eu colocaria os reservas, pra jogar contra a velharia obesa, tá bom demais.
Finalmente parece que o SPFC está evoluindo mesmo e ganhando corpo e costume no novo esquema. Muito longe de ter sido convencido pelas exibições, o tricolor tem tido facilidade nos últimos jogos para fazer o placar para vencer suas partidas.
Em um Morumbi com quase 10 mil pagantes, o SPFC venceu o Mogi com gols de Rogério Ceni, Cléber Santana e Hernanes. Nosso goleiro-artilheiro está cada dia mais próximo dos 100 gols, e posso dizer que Cléber Santana e Léo Lima de fato conquistaram o posto de jogadores do time titular.
Abrindo vantagem com relação ao quinto colocado(atualmente cinco pontos), é muito difícil o SPFC não classificar para a segunda fase do Paulistão, se segura pessoal do circo, que no fim alguém vai ficar com cara de palhaço!
Agora o Campeonato Paulista começa a ganhar corpo na reta final e alguma graça.
A pergunta que não quer calar é: você pouparia o time titular do SPFC contra as galinhas no próximo domingo?
Detalhes: time descansado para viagem do México e jogo importantíssimo contra o Monterrey ou eliminar um adversário direto da segunda fase do Paulista?
Veremos cenas dos próximos capítulos...
Eu colocaria os reservas, pra jogar contra a velharia obesa, tá bom demais.
sábado, 20 de março de 2010
SPFC x Nacional, Morumbi 2014, Libertadores...
Diversos assuntos, além da vitória do Tricolor sobre o Nacional (PAR) no Morumbi, foram tratados na mais nova edição do Podcast ISP. As perspectivas de patrocínio (e seu valor), os outros brasileiros na Libertadores e o sucesso do São Paulo com seu projeto de estádio para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014 são assuntos da ordem do dia. E as cornetadas hoje foram todas para a imprensa tendenciosa!
Confira (42 min) no player abaixo, ou baixando a MP3 (42 MB)
neste link.
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neste link.
sexta-feira, 19 de março de 2010
E aí, o que você achou?
SPFC 3x0 Nacional (PAR)
É aquele tal negócio que eu falei. Se joga mal, é porque joga mal. Se joga bem, é porque o adversário é fraco. Tenho certeza de que, a despeito do futebol de razoável para bom apresentado pelo São Paulo, vai ter muita gente ainda desconfiada. Ou seja: só vamos saber se esse time é para valer quando o jogo também for para valer. (Dica: os jogos contra Monterrey, Curíntia e Once Caldas serão os bons termômetros pré-mata-mata.)
Na minha opinião, o Tricolor fez uma boa e segura partida contra o fraco Nacional, que está se consolidando como uma das duas ou três piores campanhas da fase de grupos da Libertadores (se não for a pior de todas). E isso é evolução, porque o jogo anterior, contra o mesmo time, foi bem abaixo desse.
Ricardo Gomes teve coragem e tirou, além de Marcelinho Paraíba, que não estava dando mais par a aguentar (by the way, quem é o batedor de pênalti oficial agora, hein, professor?), mas também Cicinho, que, desde que retornou, ainda deve muito na posição. O time foi num 4-4-2 com Rogério Ceni, Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Ricky, Cleber Santana, Hernanes e Leo Lima; Dagoberto e Washington.
No post anterior, eu me perguntava quem poderia ter lucidez suficiente para armar o meio-campo. Curiosamente, esqueci de mencionar justamente o cara que resolveu a parada neste jogo contra o Nacional: Leo Lima. Fazendo uma partida irrepreensível, foi pela primeira vez uma cabeça pensante efetiva por ali.
Mas seu talento ainda precisaria de um pouco de suor para aparecer. Os primeiros 25 minutos do São Paulo foram tensos, com muitos erros e tentativas de ligação direta. Ricky em especial falhou demais na hora de tentar iniciar os ataques (alguém precisa colocar na cabeça dele que, se tentar evitar inversões longas de jogo ou lançamentos, passa a ser peça insubstituível na equipe). O Nacional veio trancadinho para segurar o 0 a 0, com uma equipe compacta e bem organizada. Ainda assim, pouco fez para chegar ao gol de Rogério.
E o castelo de cartas paraguaio se desfez quando, num contragolpe, aos 29 minutos, Hernanes fez cruzamento longo para Dagoberto, no segundo pau. Com inteligência, o atacante mandou por encoberta e fez um golaço. A partir daí, sem muito mais que defender no jogo, o Nacional apenas tocou a partida, sem objetivo claro. E o São Paulo, empolgado com a possibilidade de realizar bom jogo, veio para cima. Em seguida, aos 32, saiu o segundo gol, em bola enfiada em profundidade para Junior Cesar, que cruzou para Washington, que dominou e fez bela assistência a Leo Lima, para marcar. (Só vi que o Coração Valente tocou a bola, em vez de perder o gol, no replay em casa; do estádio, parecia um rebu na área.)
No segundo tempo, o São Paulo seguiu pressionando e chegou ao terceiro gol em bela jogada de Ricky, que se projetou para receber atrás da zaga, driblou o goleiro e, apesar de derrubado, deixou a bola limpa para Washington empurrar e fazer o seu. Com o 3 a 0, a fatura estava liquidada, e a torcida teve a oportunidade até de tirar uma ondinha com os pobres coitados paraguaios, ao som de "olé".
Aí, é o tal negócio. O Tricolor assumiu a ponta, só depende de mais uma vitória para conquistar a classificação, ficou de bem com a torcida. Mas todo mundo dirá que o Nacional não foi teste, e que essa apresentação, tal como foi, não passou de obrigação.
E é mesmo a mais pura verdade. Mas o mais importante é que, pela primeira vez, mesmo com um adversário fraco, o São Paulo soube controlar o jogo e não desistiu dele em nenhum momento. Se faltava aparecer vontade e garra, hoje o time as apresentou em campo. O espírito começa a se afinar. Estou ansioso para quando o bicho começar a pegar para valer! VAMOS, SÃO PAULO! VAMOS, SÃO PAULO! VAMOS, SER CAMPEÃO!
Na minha opinião, o Tricolor fez uma boa e segura partida contra o fraco Nacional, que está se consolidando como uma das duas ou três piores campanhas da fase de grupos da Libertadores (se não for a pior de todas). E isso é evolução, porque o jogo anterior, contra o mesmo time, foi bem abaixo desse.
Ricardo Gomes teve coragem e tirou, além de Marcelinho Paraíba, que não estava dando mais par a aguentar (by the way, quem é o batedor de pênalti oficial agora, hein, professor?), mas também Cicinho, que, desde que retornou, ainda deve muito na posição. O time foi num 4-4-2 com Rogério Ceni, Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Ricky, Cleber Santana, Hernanes e Leo Lima; Dagoberto e Washington.
No post anterior, eu me perguntava quem poderia ter lucidez suficiente para armar o meio-campo. Curiosamente, esqueci de mencionar justamente o cara que resolveu a parada neste jogo contra o Nacional: Leo Lima. Fazendo uma partida irrepreensível, foi pela primeira vez uma cabeça pensante efetiva por ali.
Mas seu talento ainda precisaria de um pouco de suor para aparecer. Os primeiros 25 minutos do São Paulo foram tensos, com muitos erros e tentativas de ligação direta. Ricky em especial falhou demais na hora de tentar iniciar os ataques (alguém precisa colocar na cabeça dele que, se tentar evitar inversões longas de jogo ou lançamentos, passa a ser peça insubstituível na equipe). O Nacional veio trancadinho para segurar o 0 a 0, com uma equipe compacta e bem organizada. Ainda assim, pouco fez para chegar ao gol de Rogério.
E o castelo de cartas paraguaio se desfez quando, num contragolpe, aos 29 minutos, Hernanes fez cruzamento longo para Dagoberto, no segundo pau. Com inteligência, o atacante mandou por encoberta e fez um golaço. A partir daí, sem muito mais que defender no jogo, o Nacional apenas tocou a partida, sem objetivo claro. E o São Paulo, empolgado com a possibilidade de realizar bom jogo, veio para cima. Em seguida, aos 32, saiu o segundo gol, em bola enfiada em profundidade para Junior Cesar, que cruzou para Washington, que dominou e fez bela assistência a Leo Lima, para marcar. (Só vi que o Coração Valente tocou a bola, em vez de perder o gol, no replay em casa; do estádio, parecia um rebu na área.)
No segundo tempo, o São Paulo seguiu pressionando e chegou ao terceiro gol em bela jogada de Ricky, que se projetou para receber atrás da zaga, driblou o goleiro e, apesar de derrubado, deixou a bola limpa para Washington empurrar e fazer o seu. Com o 3 a 0, a fatura estava liquidada, e a torcida teve a oportunidade até de tirar uma ondinha com os pobres coitados paraguaios, ao som de "olé".
Aí, é o tal negócio. O Tricolor assumiu a ponta, só depende de mais uma vitória para conquistar a classificação, ficou de bem com a torcida. Mas todo mundo dirá que o Nacional não foi teste, e que essa apresentação, tal como foi, não passou de obrigação.
E é mesmo a mais pura verdade. Mas o mais importante é que, pela primeira vez, mesmo com um adversário fraco, o São Paulo soube controlar o jogo e não desistiu dele em nenhum momento. Se faltava aparecer vontade e garra, hoje o time as apresentou em campo. O espírito começa a se afinar. Estou ansioso para quando o bicho começar a pegar para valer! VAMOS, SÃO PAULO! VAMOS, SÃO PAULO! VAMOS, SER CAMPEÃO!
quarta-feira, 17 de março de 2010
Sobre o jeito de jogar
Os comentários do post anterior foram ótimos para guiar o caminho para esta análise. Dizem que o São Paulo 2010 não tem um jeito de jogar, nem um esquema definido. Discordo. A essa altura, gostem ou não os torcedores, o Tricolor já está se consolidando no 4-4-2. Essa é a formação-base do time, que pode mudar no decorrer do jogo ou de acordo com o adversário (variações bastante testadas são o 3-5-2, o 4-3-3 e o 3-4-3, que já podem ser usadas).
Diferentemente do que dizem alguns torcedores, o São Paulo também já tem um "Onze" que lhe serve de base. O time titular hoje é Rogério Ceni, Cicinho, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Jean, Ricky, Hernanes e Marcelinho Paraíba; Dagoberto e Washington.
Como a fase do Marcelinho não está ajudando, Ricardo Gomes já dá pinta de que sua cadeira cativa no time titular corre riscos. Eu não duvido que o treinador opte por Cléber Santana ou, mais provavelmente, Jorge Wagner para aquela função de meia, já no jogo contra o Nacional, quinta-feira.
De toda forma, trocar um jogador ou outro é normal, ainda mais com um banco superqualificado como o do São Paulo. E aí é que o torcedor precisa entender: tem jogo que é melhor ter mais poder de marcação (Cléber Santana na meia ou Rodrigo Souto mais atrás), tem partida que exige mais velocidade no ataque (Fernandinho é ótima pedida), e por aí vai. Mas o time-base é este aí.
Sobre o jeito de jogar, para mim também não ficam muitas dúvidas. Na hora de atacar, o time procura avançar trançando triangulações entre os meias e os laterais (Marcelinho e Jr. Cesar pela esquerda; Hernanes e Cicinho pela direita), com movimentação rápida de um atacante (Dagoberto), que pode buscar o fundo ou, como ele prefere, entrar pelas diagonais, armando para o centroavante (Washington) ou batendo direto. Uma alternativa a esse movimento é os meias abrirem e irem à linha de fundo cruzar, ou passarem aos laterais, no overlapping, para um cruzamento ainda mais profundo.
Como todo bom 4-4-2, esse jogo acontece de formas alternadas entre direita e esquerda: quando o lateral-direito desce, o esquerdo se segura, fechando a zaga. A proteção se completa com os volantes.
Ao se defender, o esforço é cercar com os meias (acho frouxo, deveriam já dar um primeiro combate) e marcar com os volantes (acho frouxo, deveriam saber fazer faltas no meio-campo para impedir avanços e apertar sua presença sobre os adversários para roubar mais bolas). Está faltando aí um pouquinho de disciplina tática para Jean e Ricky, que aparecem demais no ataque, quando sua função em campo deveria ser mais defensiva, sem a bola. Mas a ideia é que eles retardem suficientemente o avanço adversário para a recomposição da linha de 4 defensiva, com o retorno dos laterais e o fechamento da área pelos zagueiros.
Muito bem. O que falta pro time engrenar? Sem a bola, marcar mais junto e com determinação, inclusive usando o recurso da falta, quando necessário. Com a bola, compactar mais o time e trocar passes em velocidade, envolvendo o adversário e trançando a bola, seja pela ponta, seja pelo meio, em direção ao gol.
E, claro, combater a apatia. Comportar-se como se cada jogo fosse final de campeonato. Esse é mais o lado da motivação, que o Rogério é especialista em trabalhar em suas palavras antes do início de cada jogo. (Muricy, assumidamente, não gostava de fazer isso; quanto a Ricardo Gomes, não sabemos qual é seu estilo nesse sentido.)
Os problemas me parecem todos solúveis. A única coisa que talvez seja complicada demais para este elenco é a troca rápida e criativa de passes curtos, que exige meias com visão de jogo e tempo de bola. Hernanes é um ótimo volante que ainda não provou quanto vale na meia, e Marcelinho Paraíba, que parecia ter a experiência e a visão para promover essa troca de passes, está em má fase. Talvez Jorge Wagner em boa fase consiga isso. Ou quiçá Cleber Santana, que no entanto me parece mais um cadenciador que um acelerador de jogadas. A verdade é que até agora nenhum deles mostrou cacife para tal.
Se alguém começar a ter essa clarividência no meio, as coisas certamente vão fluir e os atacantes vão começar a aparecer toda hora na cara do gol (coisa que já acontece hoje, mas com menos frequência do que poderia). Se não aparecer, talvez o caminho seja migrar para um esquema com 3 atacantes, em que Dagoberto e Marcelinho alternadamente voltam ao meio nessas tentativas de cavar a movimentação por ali.
De toda forma, vejo o São Paulo com ótimo elenco, todas as posições atendidas e um esquema de jogo definido. Falta só o espírito guerreiro e um pouquinho de visão de jogo no meio para a coisa deslanchar.
Agora, se isso vai acontecer ou não, só tendo bola de cristal.
Diferentemente do que dizem alguns torcedores, o São Paulo também já tem um "Onze" que lhe serve de base. O time titular hoje é Rogério Ceni, Cicinho, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Jean, Ricky, Hernanes e Marcelinho Paraíba; Dagoberto e Washington.
Como a fase do Marcelinho não está ajudando, Ricardo Gomes já dá pinta de que sua cadeira cativa no time titular corre riscos. Eu não duvido que o treinador opte por Cléber Santana ou, mais provavelmente, Jorge Wagner para aquela função de meia, já no jogo contra o Nacional, quinta-feira.
De toda forma, trocar um jogador ou outro é normal, ainda mais com um banco superqualificado como o do São Paulo. E aí é que o torcedor precisa entender: tem jogo que é melhor ter mais poder de marcação (Cléber Santana na meia ou Rodrigo Souto mais atrás), tem partida que exige mais velocidade no ataque (Fernandinho é ótima pedida), e por aí vai. Mas o time-base é este aí.
Sobre o jeito de jogar, para mim também não ficam muitas dúvidas. Na hora de atacar, o time procura avançar trançando triangulações entre os meias e os laterais (Marcelinho e Jr. Cesar pela esquerda; Hernanes e Cicinho pela direita), com movimentação rápida de um atacante (Dagoberto), que pode buscar o fundo ou, como ele prefere, entrar pelas diagonais, armando para o centroavante (Washington) ou batendo direto. Uma alternativa a esse movimento é os meias abrirem e irem à linha de fundo cruzar, ou passarem aos laterais, no overlapping, para um cruzamento ainda mais profundo.
Como todo bom 4-4-2, esse jogo acontece de formas alternadas entre direita e esquerda: quando o lateral-direito desce, o esquerdo se segura, fechando a zaga. A proteção se completa com os volantes.
Ao se defender, o esforço é cercar com os meias (acho frouxo, deveriam já dar um primeiro combate) e marcar com os volantes (acho frouxo, deveriam saber fazer faltas no meio-campo para impedir avanços e apertar sua presença sobre os adversários para roubar mais bolas). Está faltando aí um pouquinho de disciplina tática para Jean e Ricky, que aparecem demais no ataque, quando sua função em campo deveria ser mais defensiva, sem a bola. Mas a ideia é que eles retardem suficientemente o avanço adversário para a recomposição da linha de 4 defensiva, com o retorno dos laterais e o fechamento da área pelos zagueiros.
Muito bem. O que falta pro time engrenar? Sem a bola, marcar mais junto e com determinação, inclusive usando o recurso da falta, quando necessário. Com a bola, compactar mais o time e trocar passes em velocidade, envolvendo o adversário e trançando a bola, seja pela ponta, seja pelo meio, em direção ao gol.
E, claro, combater a apatia. Comportar-se como se cada jogo fosse final de campeonato. Esse é mais o lado da motivação, que o Rogério é especialista em trabalhar em suas palavras antes do início de cada jogo. (Muricy, assumidamente, não gostava de fazer isso; quanto a Ricardo Gomes, não sabemos qual é seu estilo nesse sentido.)
Os problemas me parecem todos solúveis. A única coisa que talvez seja complicada demais para este elenco é a troca rápida e criativa de passes curtos, que exige meias com visão de jogo e tempo de bola. Hernanes é um ótimo volante que ainda não provou quanto vale na meia, e Marcelinho Paraíba, que parecia ter a experiência e a visão para promover essa troca de passes, está em má fase. Talvez Jorge Wagner em boa fase consiga isso. Ou quiçá Cleber Santana, que no entanto me parece mais um cadenciador que um acelerador de jogadas. A verdade é que até agora nenhum deles mostrou cacife para tal.
Se alguém começar a ter essa clarividência no meio, as coisas certamente vão fluir e os atacantes vão começar a aparecer toda hora na cara do gol (coisa que já acontece hoje, mas com menos frequência do que poderia). Se não aparecer, talvez o caminho seja migrar para um esquema com 3 atacantes, em que Dagoberto e Marcelinho alternadamente voltam ao meio nessas tentativas de cavar a movimentação por ali.
De toda forma, vejo o São Paulo com ótimo elenco, todas as posições atendidas e um esquema de jogo definido. Falta só o espírito guerreiro e um pouquinho de visão de jogo no meio para a coisa deslanchar.
Agora, se isso vai acontecer ou não, só tendo bola de cristal.
segunda-feira, 15 de março de 2010
O fantasma dos natais passados
O torcedor são-paulino anda mais ressabiado do que nunca. Critica o time quando empata, quando perde e quando ganha. Sente que falta conjunto, que falta aplicação, que falta bom desempenho e teme eliminações precoces na Libertadores e mesmo no Paulistinha. Pensa consigo mesmo: "Ah, de novo? Mais um ano em que seremos a "mãe" dos outros brasileiros no torneio continental?"
Com efeito, a carga psicológica de ter caído para Internacional (final, 2006), Grêmio (oitavas, 2007), Fluminense (quartas, 2008) e Cruzeiro (quartas, 2009) oprime o torcedor. Eles não querem servir de saco de pancada, mais uma vez. Querem ver um time vibrante, raçudo e brigador, de preferência com pinta de campeão.
O time do São Paulo na era Ricardo Gomes não é vibrante. É frio e administra seus jogos (às vezes bem, às vezes mal), sempre jogando o mínimo necessário para atingir seus objetivos. A lei do mínimo esforço aplicada pelo time incomoda a torcida.
Até aí, sem problemas. Concordo. Mas será que não estamos indo longe demais? Será que não estamos pressionando demais um time e, sobretudo, um treinador que nem estava por aqui quando as eliminações em anos passados ocorreram?
Talvez o belíssimo tricampeonato brasileiro tenha feito o torcedor esquecer como era o futebol na época de Muricy. O São Paulo só vivia de chuveirinho e suas jogadas mais perigosas eram as de bola parada. Taí, por exemplo, um ponto em que o Tricolor efetivamente melhorou, dos anos passados para este. Hoje, as jogadas são mais variadas, trabalha-se mais a bola com infiltrações pelo meio, há mais lances pela linha de fundo, e a bola parada virou apenas mais uma arma, de um arsenal mais vasto de recursos.
Nos últimos anos da era Muricy, o São Paulo jogava quase num efetivo 5-3-2, uma vez que os alas (Zé Luis e Jorge Wagner) tinham pouquíssima liberdade para descer até as pontas do campo, indo no máximo até a ponta da área, de onde chuveiravam a bola para o centroavante concluir. Centroavante este que mais jogava de costas para o gol que de frente, diga-se de passagem.
Sinceramente, acho o futebol do São Paulo 2010 melhor que o de 2009 e 2008. Ainda falta mais pegada e aplicação, mas nem tudo está perdido. Principalmente porque o time segue trabalhando pela "lei do mínimo esforço", fazendo apenas o estritamente necessário para cumprir suas obrigações (ir às semifinais do Paulista e às oitavas da Libertadores). O que vale dizer que ainda não tivemos a chance de avaliar o time numa circunstância de real "vida-ou-morte", para identificar se a equipe está mesmo aquém desses desafios.
Há quem cite os clássicos como parâmetros. Vou discordar aqui. Se tivéssemos ganho da Portuguesa, ninguém teria se mostrado mais confiante. Palmeiras, então em péssima fase, idem. Só, talvez, a vitória contra o Santos teria convencido os ressabiados são-paulinos do "poder de decisão" do time. Mas, cá pra nós, o que eles estariam decidindo, naquelas partidas? Eu vos digo: rigorosamente nada. O Curíntia, por exemplo, ganhou o clássico da Porcaria, mas isso não impediu o time de mostrar um futebol pouco convincente ao longo da temporada e mesmo ficar atrás da gente na classificação geral do Paulista.
Moral da história: acho que só dá mesmo para cobrar espírito de decisão do nosso time quando estivermos num momento decisivo. E não custa lembrar que o comando do Ricardo Gomes, goste-se ou não do estilo dele, até agora só trouxe benefícios ao São Paulo. O treinador pegou o time na 16a posição do Brasileiro e levou ao 3o lugar, com chance de ser campeão até a última rodada.
Na temporada 2010, conseguiu dar ritmo de jogo a um vasto elenco, desgastando minimamente as peças (à custa de maior entrosamento, é verdade) e produzindo uma circunstância à europeia, em que o São Paulo pode contar facilmente com 15, 16 titulares -- uma necessidade absoluta se o objetivo é, por exemplo, tentar vencer o Curíntia num domingo e jogar no México para ganhar na quarta-feira, como acontecerá mais adiante no nosso maravilhoso calendário, feito sob medida para ferrar o Tricolor (não custa lembrar mais uma vez que o São Paulo é o único clube na Libertadores que, imediatamente antes de cada um dos jogos pelo torneio continental, pega um clássico). Além disso, e talvez mais importante, a equipe comandada por Ricardo Gomes está cumprindo as metas da temporada, até agora. Está, já faz algumas rodadas, no G-4 do Paulista e tende a obter a classificação na Libertadores sem muito sufoco, graças a uma vitória fora de casa contra o fraco Nacional.
Não, não estou tapando o sol com a peneira, nem dizendo que o futebol está maravilhoso. Mas, sinceramente, faz muito tempo que não vejo o São Paulo ser campeão com um futebol maravilhoso (na melhor das hipóteses, 2005; na pior, 1993). E não é o treinador que produz a criatividade exigida para as belas apresentações; são os jogadores em campo.
Para quem diz que não houve evolução alguma do São Paulo desde o início da temporada, basta comparar os 5 primeiros jogos do ano com os 5 últimos. Vamos lá?
Cinco primeiros jogos:
17/1 - São Paulo 1x3 Portuguesa
Mereceu perder? Sim.
20/1 - Mirassol 1x1 São Paulo
Mereceu empatar? Não, jogou com o time reserva e mereceu perder, fez gol na sorte no fim do jogo.
23/1 - São Paulo 3x0 Rio Claro
Mereceu ganhar? Sim.
28/1 - São Paulo 3x0 Paulista
Mereceu ganhar? Sim.
31/1 - Sertãozinho 2x2 São Paulo
Mereceu empatar? Não, jogou com o time reserva e mereceu perder, anotando o empate num gol contra no final.
Cinco últimos jogos:
28/2 - São Paulo 5x1 Monte Azul
Mereceu ganhar? Sim.
03/3 - Oeste 0x0 São Paulo
Mereceu empatar? Sim, jogou com o time reserva e apresentou futebol nivelado com o adversário.
07/3 - Ponte Preta 0x2 São Paulo
Mereceu ganhar? Sim.
11/3 - Nacional (PAR) 0x2 São Paulo
Mereceu ganhar? sim.
14/3 - São Paulo 2x1 Rio Branco
Mereceu ganhar? Sim, jogou com o time reserva e só tomou um gol numa bobeada, mas dominou a partida.
Note que, nos dois casos, foram 3 partidas com o time titular e 2 com uma equipe mista/reserva, e na sequência inicial o São Paulo fez só 2 jogos fora, contra 3 na segunda sequência. Ainda assim, o desempenho médio foi bem melhor na segunda sequência: sem derrotas, 13 pontos conquistados, 11 gols marcados e 2 gols sofridos. A primeira sequência acumulou 8 pontos (dos quais 2 não foram merecidos), 10 gols marcados e 6 sofridos.
Então, como dizer que não houve evolução? Os adversários nas duas sequências são mais ou menos nivelados. Sertãozinho, Mirassol, Rio Claro e Paulista não são muito diferentes de Monte Azul, Oeste, Nacional (PAR) e Rio Branco, e a Portuguesa não é muito melhor que a Ponte Preta.
Ou seja, contra fatos não há argumentos; o São Paulo mostrou evolução, sobretudo com o time reserva, que conseguiu vencer jogos, ou, pelo menos fazer por merecer empates, e o time titular continua jogando pro gasto, feio e apático, mas cumprindo o mínimo necessário.
Está bom para ganhar algum campeonato? Não, não está. Mas, sinceramente, não adiantaria nada jogar futebol de campeão contra a Ponte Preta, ou contra o Rio Branco de Americana. Teremos de jogar futebol de campeão quando estivermos efetivamente disputando o campeonato para valer, nas fases decisivas.
O treinador anterior ganhou 3 campeonatos dificílimos por pontos corridos, mas naufragou em diversos campeonatos (1 recopa, 2 ou 3 sul-americanas, 4 paulistas e 4 Libertadores, pelas minhas contas) disputados em mata-mata. Esse histórico, que Muricy Ramalho atribui à "sorte" (rá, tá bom!), não pode ser automaticamente transferido a Ricardo Gomes. Até agora, nosso atual treinador teve ZERO chances de se provar no mata-mata. A mesma coisa com o elenco atual, que tem uma base antiga, mas está bastante modificado e requalificado.
Antes de pedir a cabeça de alguém, vamos pensar um pouquinho no trabalho que está sendo feito e nos resultados obtidos até agora. Sem falar que nem tudo que rola de bom ou de ruim em campo depende do treinador para acontecer.
Com efeito, a carga psicológica de ter caído para Internacional (final, 2006), Grêmio (oitavas, 2007), Fluminense (quartas, 2008) e Cruzeiro (quartas, 2009) oprime o torcedor. Eles não querem servir de saco de pancada, mais uma vez. Querem ver um time vibrante, raçudo e brigador, de preferência com pinta de campeão.
O time do São Paulo na era Ricardo Gomes não é vibrante. É frio e administra seus jogos (às vezes bem, às vezes mal), sempre jogando o mínimo necessário para atingir seus objetivos. A lei do mínimo esforço aplicada pelo time incomoda a torcida.
Até aí, sem problemas. Concordo. Mas será que não estamos indo longe demais? Será que não estamos pressionando demais um time e, sobretudo, um treinador que nem estava por aqui quando as eliminações em anos passados ocorreram?
Talvez o belíssimo tricampeonato brasileiro tenha feito o torcedor esquecer como era o futebol na época de Muricy. O São Paulo só vivia de chuveirinho e suas jogadas mais perigosas eram as de bola parada. Taí, por exemplo, um ponto em que o Tricolor efetivamente melhorou, dos anos passados para este. Hoje, as jogadas são mais variadas, trabalha-se mais a bola com infiltrações pelo meio, há mais lances pela linha de fundo, e a bola parada virou apenas mais uma arma, de um arsenal mais vasto de recursos.
Nos últimos anos da era Muricy, o São Paulo jogava quase num efetivo 5-3-2, uma vez que os alas (Zé Luis e Jorge Wagner) tinham pouquíssima liberdade para descer até as pontas do campo, indo no máximo até a ponta da área, de onde chuveiravam a bola para o centroavante concluir. Centroavante este que mais jogava de costas para o gol que de frente, diga-se de passagem.
Sinceramente, acho o futebol do São Paulo 2010 melhor que o de 2009 e 2008. Ainda falta mais pegada e aplicação, mas nem tudo está perdido. Principalmente porque o time segue trabalhando pela "lei do mínimo esforço", fazendo apenas o estritamente necessário para cumprir suas obrigações (ir às semifinais do Paulista e às oitavas da Libertadores). O que vale dizer que ainda não tivemos a chance de avaliar o time numa circunstância de real "vida-ou-morte", para identificar se a equipe está mesmo aquém desses desafios.
Há quem cite os clássicos como parâmetros. Vou discordar aqui. Se tivéssemos ganho da Portuguesa, ninguém teria se mostrado mais confiante. Palmeiras, então em péssima fase, idem. Só, talvez, a vitória contra o Santos teria convencido os ressabiados são-paulinos do "poder de decisão" do time. Mas, cá pra nós, o que eles estariam decidindo, naquelas partidas? Eu vos digo: rigorosamente nada. O Curíntia, por exemplo, ganhou o clássico da Porcaria, mas isso não impediu o time de mostrar um futebol pouco convincente ao longo da temporada e mesmo ficar atrás da gente na classificação geral do Paulista.
Moral da história: acho que só dá mesmo para cobrar espírito de decisão do nosso time quando estivermos num momento decisivo. E não custa lembrar que o comando do Ricardo Gomes, goste-se ou não do estilo dele, até agora só trouxe benefícios ao São Paulo. O treinador pegou o time na 16a posição do Brasileiro e levou ao 3o lugar, com chance de ser campeão até a última rodada.
Na temporada 2010, conseguiu dar ritmo de jogo a um vasto elenco, desgastando minimamente as peças (à custa de maior entrosamento, é verdade) e produzindo uma circunstância à europeia, em que o São Paulo pode contar facilmente com 15, 16 titulares -- uma necessidade absoluta se o objetivo é, por exemplo, tentar vencer o Curíntia num domingo e jogar no México para ganhar na quarta-feira, como acontecerá mais adiante no nosso maravilhoso calendário, feito sob medida para ferrar o Tricolor (não custa lembrar mais uma vez que o São Paulo é o único clube na Libertadores que, imediatamente antes de cada um dos jogos pelo torneio continental, pega um clássico). Além disso, e talvez mais importante, a equipe comandada por Ricardo Gomes está cumprindo as metas da temporada, até agora. Está, já faz algumas rodadas, no G-4 do Paulista e tende a obter a classificação na Libertadores sem muito sufoco, graças a uma vitória fora de casa contra o fraco Nacional.
Não, não estou tapando o sol com a peneira, nem dizendo que o futebol está maravilhoso. Mas, sinceramente, faz muito tempo que não vejo o São Paulo ser campeão com um futebol maravilhoso (na melhor das hipóteses, 2005; na pior, 1993). E não é o treinador que produz a criatividade exigida para as belas apresentações; são os jogadores em campo.
Para quem diz que não houve evolução alguma do São Paulo desde o início da temporada, basta comparar os 5 primeiros jogos do ano com os 5 últimos. Vamos lá?
Cinco primeiros jogos:
17/1 - São Paulo 1x3 Portuguesa
Mereceu perder? Sim.
20/1 - Mirassol 1x1 São Paulo
Mereceu empatar? Não, jogou com o time reserva e mereceu perder, fez gol na sorte no fim do jogo.
23/1 - São Paulo 3x0 Rio Claro
Mereceu ganhar? Sim.
28/1 - São Paulo 3x0 Paulista
Mereceu ganhar? Sim.
31/1 - Sertãozinho 2x2 São Paulo
Mereceu empatar? Não, jogou com o time reserva e mereceu perder, anotando o empate num gol contra no final.
Cinco últimos jogos:
28/2 - São Paulo 5x1 Monte Azul
Mereceu ganhar? Sim.
03/3 - Oeste 0x0 São Paulo
Mereceu empatar? Sim, jogou com o time reserva e apresentou futebol nivelado com o adversário.
07/3 - Ponte Preta 0x2 São Paulo
Mereceu ganhar? Sim.
11/3 - Nacional (PAR) 0x2 São Paulo
Mereceu ganhar? sim.
14/3 - São Paulo 2x1 Rio Branco
Mereceu ganhar? Sim, jogou com o time reserva e só tomou um gol numa bobeada, mas dominou a partida.
Note que, nos dois casos, foram 3 partidas com o time titular e 2 com uma equipe mista/reserva, e na sequência inicial o São Paulo fez só 2 jogos fora, contra 3 na segunda sequência. Ainda assim, o desempenho médio foi bem melhor na segunda sequência: sem derrotas, 13 pontos conquistados, 11 gols marcados e 2 gols sofridos. A primeira sequência acumulou 8 pontos (dos quais 2 não foram merecidos), 10 gols marcados e 6 sofridos.
Então, como dizer que não houve evolução? Os adversários nas duas sequências são mais ou menos nivelados. Sertãozinho, Mirassol, Rio Claro e Paulista não são muito diferentes de Monte Azul, Oeste, Nacional (PAR) e Rio Branco, e a Portuguesa não é muito melhor que a Ponte Preta.
Ou seja, contra fatos não há argumentos; o São Paulo mostrou evolução, sobretudo com o time reserva, que conseguiu vencer jogos, ou, pelo menos fazer por merecer empates, e o time titular continua jogando pro gasto, feio e apático, mas cumprindo o mínimo necessário.
Está bom para ganhar algum campeonato? Não, não está. Mas, sinceramente, não adiantaria nada jogar futebol de campeão contra a Ponte Preta, ou contra o Rio Branco de Americana. Teremos de jogar futebol de campeão quando estivermos efetivamente disputando o campeonato para valer, nas fases decisivas.
O treinador anterior ganhou 3 campeonatos dificílimos por pontos corridos, mas naufragou em diversos campeonatos (1 recopa, 2 ou 3 sul-americanas, 4 paulistas e 4 Libertadores, pelas minhas contas) disputados em mata-mata. Esse histórico, que Muricy Ramalho atribui à "sorte" (rá, tá bom!), não pode ser automaticamente transferido a Ricardo Gomes. Até agora, nosso atual treinador teve ZERO chances de se provar no mata-mata. A mesma coisa com o elenco atual, que tem uma base antiga, mas está bastante modificado e requalificado.
Antes de pedir a cabeça de alguém, vamos pensar um pouquinho no trabalho que está sendo feito e nos resultados obtidos até agora. Sem falar que nem tudo que rola de bom ou de ruim em campo depende do treinador para acontecer.
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